Poul Rasmussen, o seu bebé e a demolição da protecção dos trabalhadores portugueses

Poul Rasmussen, antigo Primeiro Ministro da Dinamarca, considerado o pai da “flexisegurança”, ideia que em si mesma engloba dois conceitos completamente contraditórios, veio dizer duas coisas bastante interessantes sobre o que se passa em Portugal e na UE.

“Eu vejo o meu bebé a ser manipulado e incompreendido. Vejo o presidente Sarkozy, em França, a falar só da flexibilidade e a esquecer tudo sobre a segurança, e o mesmo se passa com a maioria conservadora na Europa”

O bebé que Poul Rasmussen criou tornou-se um monstro. Ele foi o pai, mas quem o está a educar são os governos neoliberais da UE actual. A flexisegurança tornou-se, também em Portugal, a “filosofia” por detrás do código do trabalho de Bagão Félix e mais recentemente de Vieira da Silva. Nada de bom veio desse monstrinho.

Agora, com a “troika” em Portugal já não é necessário qualquer conceito maravilhoso que defende a facilidade de despedimento e a promoção do emprego simultâneamente. Agora como disse Poul Rasmussem a “troika vai tentar demolir protecção dos trabalhadores portugueses”.

Aos poucos temos sido preparados, com notícias de pequenas medidas que vão ser impostas pela “troika”, para a avalanche de austeridade que aí vem de modo a ser mais suave a notícia e melhor aceite o anúncio . Aos poucos o consenso sobre a necessidade de um “consenso político”, de “unidade” vai  penetrando nos media. Querem que que pensemos que não há outra saída, apenas esta, a da “demolição da protecção dos trabalhadores”, do corte e da austeridade. A verdade é que há sempre outro caminho. Não podemos permitir soluções únicas nem pensamentos únicos. Estas são ideias muito perigosas. O “arco do poder” não pode ser a única solução. Votar fora do arco do poder não é inútil nem inconsciente. Em democracia é assim que são feitas as grandes mudanças. Não tem que ser necessário uma revolução para mudar. Há alguém que não queira mudança?

#eleições#flexisegurança#FMI#UE

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