Reduzir o país a cinzas

Sim, cinzas e pouco mais é o que restará depois destes liquidatários, a quem chamamos Governo, terminarem o seu trabalho. Exagero, catastrofismo? Duvido. Há muito tempo que muita gente avisa que nós estamos a seguir mesmo caminho da Grécia. Será que alguém ainda duvida disso? E hoje será que alguém ainda vê a Grécia como um país viável? É um território com uma economia destruída e um povo depauperado e revoltado. Até aqui seguimos todos os passos que levaram a Grécia aonde está e neste momento, com a apresentação do orçamento para 2012, que ficará para a história como o maior crime jamais realizado por um governo no Portugal do pós 25 de Abril, vamos rapidamente recuperar o terreno que ainda nos separa da situação grega.

Certamente muita gente perguntas-se se este governo tem consciência do que está a fazer. A minha opinião é que sim, sabe muito bem o que está a fazer. O que nos estão implementar enquadra-se perfeitamente numa espécie de doutrina de choque: Os ideólogos do “mercado livre” procuram uma tábua rasa onde possam criar uma sociedade de mercado livre ideal. E que desculpas melhores do que a que lhes caíram do céu agora? Uma grave crise financeira, uma grande dívida externa, uma intervenção estrangeira para justificar todos os crimes que comentem contra o seu povo e a tese moralista do “viver acima das possibilidades” para manter o povo silencioso. O FMI deve estar a adorar mais esta experiência neoliberal porque certamente que ajudará a ciência económica. O problema é que nós somos as cobaias. Admirou-me a não descida da TSU já que esta era uma das experiências que, segundo o próprio Poul Thomson do FMI, nunca tinha sido tentada e iria ser feita em Portugal pela primeira vez. Que honra.

Poucos esperariam que no pós 25 de Abril houvesse um tal retrocesso civilizacional. Mas esse retrocesso começou há muito, disfarçadamente, com a ajuda de vários governos do espectro rosa, laranja e azul do arco-íris político. Agora vem a machada final.

Aos portugueses que rejeitam esta política não basta resistir. Para que esta política não vá em frente é preciso muito mais do que isso. Para além de resistir são necessárias alternativas e que estas sejam implementadas. Embora a mensagem com que somos bombardeados todos os dias seja que não existem alternativas, isso não é verdade. Existem alternativas. Este governo estará disposto a implementá-las? De certeza que não. Como podemos fazer mais do que resistir com um governo que seguirá a sua política indiferente à resistência dos portugueses? Fica a pergunta, pensemos.

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