São apenas incompetentes ou sabem bem o que fazem?

Os sucessivos desvios das previsões do actual governo de Passos Coelho, Paulo Portas e Vítor Gaspar e sobre a insistência nas suas políticas falhadas são uma fonte quase inesgotável de justificação para a crítica e para a censura ao Governo. Há, no entanto, em muitas dessas criticas, um ponto que é recorrentemente abordado e tem a ver com a desorientação, ou não do governo. Será que o governo perdeu o Norte ou apenas finge-se desorientado e segue inabalável o seu caminho de destruição? Serão os sucessivos falhanços nas previsões do deficit, do crescimento da dívida de Gaspar ou, o mais flagrante e socialmente dramático, do desemprego mera incompetência, ou um erro propositado? Será a insistência nas mesmas políticas que não produzem nenhum dos resultados a que se propõem, uma qualquer cegueira decorada de incompetência ou uma intenção dissimulada e quase maquiavélica de,  falhanço em falhanço, transformar o país num pesadelo neoliberal? As previsões do desemprego, sempre subestimadas, serão fruto de um optimismo irrealista ou de uma oculta intenção de mascarar, enquanto é possível, as consequências indizíveis das políticas de austeridade?

A explicação da incompetência, da inexperiência ou das alterações no “quadro internacional” poderiam ser, para os críticos do governo e para a oposição, uma possível explicação para os primeiros meses de governo, mas a verdade é que até o mais incompetente dos governos alteraria a sua política ao constatar que todas as suas políticas falharam e que nem a sua obsessão da redução do deficit foi conseguida. O governo, pelo contrário, fez aprovar um orçamento do Estado em que aplica, com mais intensidade e convicção, as mesmas políticas falhadas que atiram cada vez mais  portugueses para a pobreza e para a desesperança. Perante estes factos, não é possível classificar este governo simplesmente como “incompetente”. Passos, Gaspar, Portas e Relvas, à sombra de uma intervenção externa que tudo justifica, são extremamente competentes na destruição do emprego e na precarização do emprego que ainda resta, na rápida erosão da escola pública, na redução da protecção social, no controlo dos media pelo ubíquo Relvas e na propaganda da ideologia dominante: com mais de um ano de troika, ainda ouvimos repetir a cassete do “vivemos acima das nossas possibilidades”.

Este governo tem de ser demitido, não por ser incompetente, mas porque procura, com uma frieza arrepiante, atirar os portugueses do muro abaixo e simultaneamente retirar-lhes toda e qualquer rede de protecção. Ao mesmo tempo que destrói a economia, e com ela o emprego, cobra mais impostos a quem ainda trabalha e fornece cada vez menos protecção social. Entretanto o CDS de cria um ministério da caridade que corta nas prestações sociais mas distribui milhões às IPSS para fazerem a caridade que devia ser antes a solidariedade de todos para todos. Este Portugal novo que o governo da troika procura criar tem no desemprego de massas, na precariedade e na ausência de protecção social três dos principais pilares da mudança social que procuram. Se por um lado mais de metade da população activa do país é desempregada ou precária e a sua capacidade de luta e resistência é agrilhoada: ora lutam por ter comida na mesa ou por manter o emprego precário que está sempre por um fio; por outro quem tem emprego olha com medo para quem ao seu lado já o perdeu, e o medo é a mais perigosa das armas. A progressiva redução da protecção no desemprego faz o resto. Para criar esse Portugal novo onde o trabalho é colaboração sem direitos, a saúde é um privilégio e a educação é apenas para as elites é preciso um povo que não resista e o medo é a aposta deste governo.

 

 

 

 

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