Sem-abrigo sequestrados pela polícia municipal em Ponta Delgada – está tudo bem


É inacreditável que o título desta notícia do Açoriano Oriental de 3 de Maio seja “Novo comandante na Polícia Municipal para garantir paz social” e não o “sequestro de sem-abrigo perpetrado pela polícia municipal”. O que revela a pouca importância dada a um caso que nos deveria preocupar e indignar a todos. No entanto, foi de louvar a atitude de quase todos os agentes que apresentaram queixa contra o antigo comandante, Alberto Peixoto. Queixas pela suspeita dos crimes de sequestro, abuso de poder, usurpação de funções e denegação de justiça.

Ah, mas é uma polícia municipal, que responde à Câmara Municipal de Ponta Delgada que tem um presidente e teve, até há alguns meses, uma presidente que agora migrou para a Secretaria de Estado da Defesa. Será assim tanta a ignorância dos presidentes desta autarquia que não sabem que a sua polícia anda a raptar gente, nos intervalos de umas multas de estacionamento e do auxílio a um turista meio perdido? Tenho dúvidas e suponho que o leitor também. É por isso que explicações exigem-se rapidamente. Foram actos autêntica limpeza social, dignos de um regime nazi, perpetrados por uma polícia de um regime democrático. Não é possível descansar enquanto todas as responsabilidades, criminais e políticas, não forem apuradas.

Actualizado com notícia integral do AO
Novo comandante na Polícia Municipal para garantir paz social

O comissário Pedro Almeida tomou ontem posse como comandante da Polícia Municipal de Ponta Delgada com a principal missão de garantir a paz social numa instituição que vive um clima de “tensão”.
A maioria dos agentes (23 de 28 elementos) entregou uma queixa no Ministério Público contra o antigo comandante da Polícia Municipal, Alberto Peixoto, pela suspeita dos crimes de sequestro, abuso de poder, usurpação de funções e denegação de justiça.
A acusação dos crimes de sequestro está relacionada com ordens, que alegadamente foram emitidas por Alberto Peixoto, para se retirarem “os indigentes da rua e transportá-los para uma instituição”. O sindicato da Polícia Municipal refere que se tratou de uma “ordem ilegal”, porque apenas com ordem do tribunal se poderá retirar “alguém da rua”.
Pedro Oliveira, presidente do sindicato da Polícia Municipal, revela que existia um “clima de horror” na instituição e pediu ao novo comandante para corrigir as falhas existentes.
A principal medida que o sindicato defende é a retirada de poderes de coordenação a dois agentes promovidos, por indicação do anterior comandante da Polícia Municipal. “O comando da Polícia Municipal não vai ter paz, enquanto não alterar esta situação. O senhor comandante deve exigir ao executivo camarário a nomeação de um adjunto, porque a lei confere a possibilidade de requerer um graduado para ser uma chefia intermédia”, revelou Pedro Oliveira. O líder do sindicato revelou “orgulho nos agentes” que apresentam uma queixa. “Não fizeram uma denúncia anónima, nem utilizaram golpes baixos para denunciar os crimes que tiveram conhecimento”, frisou.
José Manuel Bolieiro, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, reconheceu,  em conferência de imprensa, a existência de “tensão” entre os agentes e o antigo comandante.
“Havia de facto uma tensão. Houve um conflito, que se tornou agora um problema judicial, entre agentes da Polícia Municipal e o antigo comandante, Alberto Peixoto. O meu objetivo agora  foi eliminar esta tensão e começar a tratar do futuro da Polícia Municipal de Ponta Delgada. Estamos com vontade de contribuir para o aumento do sentimento de segurança das pessoas do concelho”, afirmou o autarca.
Pedro Almeida, novo comandante da Polícia Municipal, indicou “não se pronunciar sobre o passado” e, relativamente “ao futuro, pretende fazer parte de uma equipa, exercendo as funções de comandante, onde cada um terá o seu papel e colaborar com todos os agentes”.
O comissário Pedro Almeida apresenta-se motivado “para garantir o bem estar e o cumprimento da missão, de acordo com as prioridades definidas pelo município de Ponta Delgada”.
O Açoriano Oriental apurou que, em breve, será nomeado um chefe da PSP para adjunto do comandante da Polícia Municipal.
Novas prioridades de atuação
A Câmara de Ponta Delgada transmitiu que a prioridade de atuação da Polícia Municipal será a segurança junto às escolas do 1.º ciclo e vigilância dos locais públicos de responsabilidade municipal. “É nossa prioridade contribuir para aumentar os níveis de segurança pública, percecionados pela população, neste tempo de crescentes tensões e necessidades das famílias e dos indivíduos”, salientou o presidente da autarquia José Manuel Bolieiro.
Foi ainda revelado que irá existir um “aprofundamento” da cooperação com a Polícia de Segurança Pública, com a realização de trabalhos em “complementaridade e em coordenação” para aumentar a segurança. •

 

 

 

 


4 comentários a “Sem-abrigo sequestrados pela polícia municipal em Ponta Delgada – está tudo bem”

  1. Quero Publicamente Fazer o Seguinte Comentário A Policia Municipal Anda a Fazer um Excelente Trabalho Na Nossa Cidade Principalmente na minha zona Quero desde já Agradecer e o Senhor Peixote Parece que Eco moda Muita Gente.

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