O estranho caso da linha de minibus que nunca chegou a ser, e outras histórias

A rede de mininbus de Ponta Delgada foi reorganizada. Há muito que se esperava por alterações profundas a um serviço público que é essencial à mobilidade na cidade de Ponta Delgada mas que não soube crescer nem adaptar-se às necessidades de uma população em crescimento e mais exigente. Sendo um serviço essencial para tantas pessoas numa cidade dominada pelos carros particulares e nada amiga dos peões, a verdade é que o funcionamento do serviço de minibus sofria (sofre?) de graves problemas: grandes tempos de espera que ultrapassavam por vezes 45 min, irregularidade nos horários, trajetos longos e inadequados e autocarros sobrelotados.

Recentemente, a Câmara Municipal de Ponta Delgada anunciou que, finalmente, faria as prometidas alterações à rede de minibus, transformando-a numa “espécie de metro de superfície”, nas palavras do presidente da Câmara, José Manuel Bolieiro. Para fundamentar tal transformação a Cãmara Municipal encomendou um estudo à consultara BEWARE. Nesse estudo, uma das principais alterações propostas é a da criação de uma nova linha que atravessaria a cidade no eixo E-W, da rotunda do Loreto, na Fajã de Baixo, até à rotunda Norte da Av. Príncipe do Mónaco, passando por São Gonçalo, pela Av. Antero de Quental e fazendo também a ligação ao Hospital.

Segundo o estudo esta seria a linha que faria a alimentação a Norte da cidade e efectivamente seria a que mais se pareceria com um “metro de supercície”. Certo é que esta linha e outras alterações propostas não constam das alterações efectuadas pela Câmara Municipal e a questão óbvia é – Porquê?

Outras propostas apresentadas no estudo em causa foram implementadas, como a criação de três modalidades de passes (o preço por viagem, se considerarmos duas viagens diárias, do passe normal corresponde ao preço do anterior bilhete de bordo, pelo que esta é uma pseudo melhoria, sendo melhorias efetivas apenas os passes Estudante e 3ª Idade), a subida do bilhete de bordo em 45% (para 0,5€) e o aumento da rentabilidade do concessionário, que agora passa a receber mais do dobro do que recebeu no ano passado para explorar o serviço sem, mais uma vez, ter havido concurso público.

A Câmara Municipal implementou as mudanças que, quase todas, prejudicam os utilizadores mas esqueceu-se das mudanças necessárias a dar uma nova vida ao serviço de minibus de Ponta Delgada, indo ao encontro da melhoria do serviço prestado à população. Não basta mudar a imagem dos autocarros para termos um serviço renovado e melhorado, é necessário que este responda às necessidades das pessoas e para isso era necessárias mudanças a sério e não apenas alterações cosméticas para justificar aumentos de preço e “rendas excessivas” por ajuste direto.

#minibus#Ponta Delgada