A Calheta voltará a ser das pessoas?

Tudo indica que, se depender da Câmara Municipal de Ponta Delgada, do Governo Regional e dos seus respetivos Presidentes, a Calheta não mais será das pessoas.

Mas não era José Manuel Bolieiro que em 2013, em campanha eleitoral, prometia que “depois das eleições, e se os cidadãos nos derem a sua confiança, a câmara vai iniciar a contratação de serviços jurídicos de modo a enquadrar os procedimentos legais necessários para tomar posse administrativa do terreno onde se encontram as galerias comerciais, e assim poder começar a trabalhar para que esse espaço seja devolvido às pessoas.”? E que mais tarde, em dezembro de 2014, afirmava convictamente e seriamente “que é necessário corrigir os erros cometidos na Calheta, sobretudo no que respeita ao rebaixamento das galerias comerciais.”?

E Vasco Cordeiro? Não era o Presidente de Governo que, em audiência concedida ao Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, anunciava que uma das condições para dar luz verde ao processo contratual com o Fundo Discovery era “a obrigação, a assumir pelo grupo ASTA, de reformular o projeto da urbanização Pero de Teive, reduzindo a sua volumetria e criando espaço para usufruto da população.”?

Mas o tempo passou e mais recentemente a CMPD já fala apenas em procurar “desenvolver esta influência para que haja ainda assim, para além da redução de volumetria do projetado uma redução das próprias existências já construídas” e os novos donos do projeto, o Fundo Discovery, que renegoceia aquilo que fora condição para um acordo, esclarecem que  “provavelmente o projeto final não será exatamente igual à pretensão de quem está do outro lado.”  Do outro lado estão todos os que querem a Calheta de volta e devia estar uma Câmara Municipal que os devia representar.

Deixou-se de falar de demolição das galerias existentes para falar em redução da volumetria projetada. A demolição deixou de ser uma condição para ser algo incerto, difícil, quase inatingível. Os mais recentes desenvolvimentos confirmam o incumprimento do que fora acordado por parte da ASTA, com a conivência do Governo Regional e da Câmara Municipal de Ponta Delgada. As obras do Hotel Príncipe do Mónaco avançam sem que sequer se saiba o que se fará com as galerias comerciais.

A Calheta só voltará a ser das pessoas se estas o exigirem, já que os seus governantes há muito a venderam.

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