Black lives matter

O infame assassinato de George Floyd às mãos de uma brutalidade policial racista gerou uma onda de exigência por justiça. A conduta da polícia, que perante os desesperados pedidos de ajuda de George Floyd, assassinou-o lenta e brutalmente, chocou o mundo, pelo menos a parte que tem um pingo de humanidade.

Este crime recolocou no centro do debate público o velho e omnipresente problema do racismo, que estando longe de ser exclusivo dos EUA, tem nesse país uma expressão forte e cruel que contamina as instituições de poder no país, a começar pelas forças de segurança. 

Um estudo de 2019 publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences analisou os riscos de morte durante encontros policiais e descobriu que homens e mulheres afro-americanos, nativos e latinos correm risco superior de serem mortos pela polícia do que indivíduos caucasianos.

Os homens negros enfrentam uma probabilidade de um em mil de serem mortos pela polícia durante toda a sua vida, em comparação com cerca de um em dois mil para os homens em geral.

Estes números são terríveis, a começar pela absurdamente enorme probabilidade de qualquer pessoa perder a vida às mãos de quem é suposto proteger a população. Probabilidade essa que duplica para os homens negros. 

A morte de George Floyd foi a gota de água que fez transbordar um oceano de revolta que enche as ruas de centenas de cidades no país. Exige-se justiça e mudanças profundas na sociedade. 

O grito “black lives matter” que se ouve nas ruas dos EUA, é um grito de luta contra o racismo. A sua luta é internacional e merece toda a nossa solidariedade. Mas essa luta tem adversários poderosíssimos. 

A começar por quem quer manter o racismo institucionalizado: os supremacistas brancos e o próprio presidente dos EUA. Na hora em que se exigiam, não apenas palavras de condenação a mais um episódio de violência policial, mas de ação, Trump incita à violência ameaçando com tiros do exército e ordenando uma carga policial sobre manifestantes para desimpedir o caminho para… tirar uma foto com uma bíblia numa igreja! 

Esta ação é demonstrativa do desprezo de Trump pelo anti-racismo e da vontade em incendiar o ambiente social e político. Tudo para procurar aproximar ainda mais de si os setores mais conservadores e racistas e assim garantir a sua reeleição em novembro. 

É mais uma das suas tácticas, que passam também por ataques à liberdade, que os movimentos ultra-conservadores e de extrema-direita levam a cabo no Brasil e por essa Europa fora. Em Portugal temos aprendizes de feiticeiro que seguem a mesma receita. Basta ver o representante da extrema-direita portuguesa, a querer confinar os cidadãos de etnia cigana e a ameaçar com a censura do Twitter, se um dia vencer eleições. 

Nos EUA, um país em que comprar uma arma de guerra é quase tão fácil como comprar uma pistola de brincar, ter um presidente que incita à violência é uma carta branca a ações armadas. Basta ver o que sucedeu no Estado do Michigan, em que o Capitólio estadual, sede do poder legislativo do Estado, foi invadido por homens armados, alguns com adereços alusivos a Trump.

Como a realidade demonstra, o mundo é um lugar mais perigoso devido a Trump e à sua base de apoio. Contra eles é preciso lutar e sair à rua. É isso que milhares de pessoas fazem nos EUA.