Tradução do Gcompris revista e incluída no novo lançamento

A tradução do Gcompris, programa open-source presente no computador Magalhães, foi totalmente revista e actualizada este fim-de-semana, a tempo de ser incluída no novo lançamento desta Segunda-Feira. A revisão foi realizada pelo coordenador da equipa de tradução do GNOME, Duarte Loreto, e por mim.

Os problemas com a tradução foram assim resolvidos em apenas 3 dias (Sexta-Feira à noite, Sábado e Domingo), o que demonstra a força do modelo de desenvolvimento de software open-source. A revisão, assim como a anterior tradução, a aplicação Gcompris e milhares de outros programas livres, foi totalmente realizada por voluntários que dão o seu melhor para criar software que esteja disponível para todos sem custos e que permite que qualquer pessoa possa participar do seu desenvolvimento.

Espero que os jornalistas possam dar também esta notícia e que o governo volte a trás e retire as suas palavras irreflectidas de retirar o Gcompris do Magalhães.

Aproveito o post para alertar os utilizadores de Linux portugueses para a importância de termos software localizado e traduzido com qualidade. É importante que qualquer erro ortográfico, gramatical, ou apenas sugestões para melhorar a tradução de uma determinada aplicação seja reportado no bugtracker da distribuição que utilizam ou directamente no bugtracker do projecto.

Se repararem no software da vossa distribuição, que não vem por omissão, muito dele não está localizado/traduzido. Existem milhares de projectos que adorariam ter mais uma tradução a juntar à sua lista e assim chegar mais facilmente a uma audiência mais vasta. Ajuda é algo que todos precisam, não apenas o GNOME, KDE, Mozilla, OpenOfifice e outros grandes players. É importante contribuir parao  software que gostamos e nos preocupamos. Acreditem que é algo muito recompensador, muito mais do que qualquer coisa que seja feita por dinheiro.

Quero aqui também falar da importância da contribuição das traduções upstream (na origem do projecto). Uma das grandes vantagens de existirem tantas distros é todas beneficiarem do avanço de todas. A grande maioria das distros distribui, para além do Linux Kernel e das ferramentas GNU, um conjunto de aplicações semelhante. Se traduzimos um determinado projecto directamente na distribuição estamos a beneficiar essa distribuição específica e talvez o projecto upstream, se essa tradução lá chegar e se for aceite pelo tradutor do projecto (caso exista). Só depois disso poderá chegar às outras distribuições e assim todas também beneficiarem.

Se, pelo contrário, uma tradução for realizada directamente no projecto upstream, a tradução ficará disponível imediatamente após estar concluida e incluida num lançamento de uma versão estável da aplicação. É uma caminho muito mais curto e com muito menos probabilidade de falha.

Assim termino este longo (e chato?) post esperando que o Gcompris continue no Magalhães e possa ajudar à aprendizagem e divertimento das crianças portuguesas.




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Comments

  1. mb|Weblog - 9 de Março de 2009 @ 22:28

    Gostei do post e gostaria que muitos orgãos de comunicação social o lessem.

  2. amrlima - 9 de Março de 2009 @ 23:10

    Obrigado! Também gostava mas, já que não é um escândalo, já não deve interessar tanto…

  3. Paulino - 10 de Março de 2009 @ 10:54

    Abrir um bug por um erro de tradução… Não me parece que seja essa a finalidade dos bugtrackers.
    Como é que outras pessoas podem colaborar na tradução, sem ter de abrir um bug? Ou é “só nos dois é que sabemos…”????

  4. amrlima - 10 de Março de 2009 @ 12:01

    Paulino, um erro de tradução é o quê então? Diga-me lá então como reporta erros de tradução.

    Engraçado que agora aparece tanta gente interessada em tradução de software livre

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