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	<title>Omnia sunt communia &#187; CoisasDoOutroMundo</title>
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		<title>A paz social e a desconcertação social</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 20:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta semana falou-se muito de &#8220;paz social&#8221;. Essas menções vêm quase todas do lado dos patrões, do governo ou de gente que normalmente o defende em comentários, na TV, nos jornais e pela Internet fora. Quando se fala muito de uma coisa, frequentemente é por medo do seu oposto. Ninguém passa um dia a falar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana falou-se muito de &#8220;paz social&#8221;. Essas menções vêm quase todas do lado dos patrões, do governo ou de gente que normalmente o defende em comentários, na TV, nos jornais e pela Internet fora. Quando se fala muito de uma coisa, frequentemente é por medo do seu oposto. Ninguém passa um dia a falar de paz se não está preocupado com a guerra.</p>
<p>A verdade é que há muito que estamos em guerra. Muitos de nós, trabalhadores, nem o sabe. O acordo de (des)concertação social assinado ontem pelo governo, patrões e pela UGT foi um violento ataque contra todos nós que vivemos do nosso trabalho. Custa-me a crer que algum trabalhador considere positivas as medidas concertadas pelo governo e pelos patrões, com a bênção de João Proença. Este ataque vai, pelo menos a curto prazo, ser muito bem sucedido para quem o engendrou. <a href="http://static.publico.pt/pesoemedida/noticia.aspx?id=1529607&amp;idCanal=21">Despedimentos mais fáceis, mais baratos, trabalho gratuito com os chamados bancos de horas, menos protecção no desemprego</a>. A lista é grande e tenebrosa e sem qualquer dúvida irá fazer aumentar a exploração dos trabalhadores a níveis que pensávamos que não seria possíveis nos dias de hoje.</p>
<p>Quem vive e trabalha no mundo real sabe bem que, na generalidade, o código de trabalho é muitas vezes desprezado, reduzido a pisa papeis. Existem empresas e outras instituições onde o <em>vale tudo</em> é o lema. Deixar os trabalhadores ainda mais nas mãos dos patrões é legitimar os abusos que existem no mundo do trabalho. Facilitar os despedimentos e reduzir a protecção no desemprego é criar um clima de medo e terror no mundo do trabalho. Medo de ingressar na grande profissão de sucesso dos nossos dias em Portugal: Desempregado.</p>
<p>Por este caminho a tal &#8220;paz social&#8221;, de que tanto se fala, vai ser mantida pelo medo, pela pobreza, pela emigração e pela falta de esperança de um país inteiro. A tragédia é que, enquanto estamos em &#8220;paz&#8221;, tudo o que foi construído com a Democracia no nosso País é lentamente destruído: os direitos (sim direitos e não privilégios) conquistados, o património e a própria Democracia. Embora seja difícil parar a onde triunfante desta direita medíocre, mentirosa, cacique e moralista, nunca será tarde para nos apercebermos, nós trabalhadores, que estamos a ser atacados em todas as frentes e que isso só pode significar que estamos em guerra para finalmente voltarmos a lutar pelo que é nosso.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dicionário da Novilíngua politica e económica portuguesa</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 21:35:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não, não tenho esse dicionário, mas gostava que fosse criado. Os comentadores e políticos de serviço da TV passam a vida a comentar a nossa vida utilizando belas palavras, onde se escondem muitas vezes palavras odiosas.
Por isso vou aqui deixar uma expressão que é muito utilizada nos dias de hoje e que, sinceramente, revolta-me. A última [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não tenho esse dicionário, mas gostava que fosse criado. Os comentadores e políticos de serviço da TV passam a vida a comentar a nossa vida utilizando belas palavras, onde se escondem muitas vezes palavras odiosas.</p>
<p>Por isso vou aqui deixar uma expressão que é muito utilizada nos dias de hoje e que, sinceramente, revolta-me. A última vez que a ouvi foi hoje mesmo no telejornal da RTP 1 e foi dita pelo editor de economia da RTP, Paulo Ferreira, que é um excelso comentador e defensor de tudo o que é austeridade.</p>
<p><strong>Libertar mão de obra:</strong> Eufemismo para despedir. Mandar um trabalhador para a rua;</p>
<p>Vou actualizando aqui o meu primeiro esboço de dicionário. Agradeço aos leitores sugestões para o dicionário.</p>
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		<title>A austeridade é a nossa penitência</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 12:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje vi, na RTP-N, um daqueles programas do género fórum TSF, em que um padre convidado (do qual não me recordo o nome) a comentava as medidas de austeridade, nomeadamente os aumentos do IVA na electricidade e no gás. O padre dizia qualquer coisa como:
Não vale a pena protestar; Ninguém protestou, nem os sindicatos nem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje vi, na RTP-N, um daqueles programas do género fórum TSF, em que um padre convidado (do qual não me recordo o nome) a comentava as medidas de austeridade, nomeadamente os aumentos do IVA na electricidade e no gás. O padre dizia qualquer coisa como:</p>
<blockquote><p>Não vale a pena protestar; Ninguém protestou, nem os sindicatos nem ninguém quando vivíamos acima das nossas possibilidades, por isso agora temos de aceitar porque não há outra saída; Não vale a pena ir atrás dos ricos porque eles mandam o dinheiro para a Suíça.</p></blockquote>
<p>É triste verificar que a Igreja Católica mais uma vez vai buscar a sua veia salazarista e manda o povo comer e calar. Neste caso, ser roubado e calar. Para quem se diz defensor dos pobres e dos oprimidos são muito rápidos a virar-lhes as costas. Mas esta atitude é bastante coerente com o discurso dominante do &#8220;viver acima das nossas possibilidades&#8221;. Viver acima das nossas possibilidades é um eufemismo para o pecado, nas católicas mentes conservadoras. Nessas mesmas mentes o pecado só pode ser perdoado com a penitência, apresentada ao povo como austeridade inevitável. Séculos de catolicismo impregnaram nas mentes dos portugueses as noções de pecado e penitência. Talvez seja essa uma das razões para as diferenças de aceitação da austeridade entre gregos e portugueses.</p>
<p>É preciso lembrar que nunca foram penitência, a oração ou a santa missa que trouxeram avanços à humanidade. As grandes conquistas sociais da humanidade fizeram-se com lutas, com protestos, com revoluções. Se nos limitássemos a rezar e calar ainda viveríamos numa sociedade feudal.</p>
<p>Resta saber até quando é que vamos comer e calar. Numa altura em que já se decidiram medidas adicionais de austeridade no próximo ano, duvido que não cheguemos a um ponto em que os portugueses concluam que chega de padre-nossos e avé-marias.</p>
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		<title>E nós não somos só a vossa mão de obra barata</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 16:42:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Logo pela manhã, leio isto:
E que fique claro, todos nós compreendemos as dificuldades que os professores passam, mas o sistema educativo regional não serve de garante de emprego nem para professores nem para ninguém.
Secretária Regional da Educação e Formação, Cláudia Cardoso, in Açoriano Oriental, 08-09-2011
Claríssimo, Srª. Secretária. Mas que fique claro também que os professores precários [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Logo pela manhã, leio isto:</p>
<blockquote><p>E que fique claro, todos nós compreendemos as dificuldades que os professores passam, mas o sistema educativo regional não serve de garante de emprego nem para professores nem para ninguém.</p></blockquote>
<p>Secretária Regional da Educação e Formação, Cláudia Cardoso, <em>in</em> Açoriano Oriental, 08-09-2011</p>
<p>Claríssimo, Srª. Secretária. Mas que fique claro também que os professores precários não são uma espécie de banco de suplentes onde a Secretaria da Educação e o Ministério vão buscar mão de obra barata quando têm falta de professores. Alguns são usados anos a fio, mantidos na precariedade de contratos anuais, quando o código de trabalho apenas permite três renovações de contrato a termo, para que quando der jeito seja fácil e barato mandar embora. Outros ficam na reserva, prontos a tapar os inúmeros buracos que vão aparecendo durante o ano, como as substituições e horários incompletos.</p>
<p>A Srª. Secretária, que fala agora com as costas largas pois tem centenas de professores desempregados à espera para taparem todos os buracos que vão aparecer durante o ano, sabe muito bem que sem todos esses &#8220;professores parasitas&#8221;, como quer fazer crer à opinião pública, o sistema educativo regional era capaz de não funcionar assim tão bem.</p>
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		<title>João César das Neves vs Jon Stewart</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 21:18:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje, enquanto queimava algum tempo num café logo pela manhãzinha, que não estava nada fresca, folheei o Açoriano Oriental de hoje. Depois de ler o que me interessou, voltei a folhear o jornal e chamou-me a atenção o título de um artigo de opinião de João César das Neves (JCN) que está publicado no DN [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, enquanto queimava algum tempo num café logo pela manhãzinha, que não estava nada fresca, folheei o Açoriano Oriental de hoje. Depois de ler o que me interessou, voltei a folhear o jornal e chamou-me a atenção o título de<a href="http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1958250&amp;seccao=Jo%E3o%20C%E9sar%20das%20Neves&amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&amp;page=2" target="_blank"> um artigo de opinião de João César das Neves (JCN) que está publicado no DN de hoje</a> (ou será de ontem?): &#8220;O poder de Jon Stewart&#8221;.  Adoro o &#8220;Daily show&#8221;  por isso fiquei curioso por ler o que iria sair dali.</p>
<p>Antes de começar quero só dizer que isto de comentar a opinião é um exercício que nunca fiz e espero não ter vontade de o fazer muitas mais vezes. Mas este artigo deu-me demasiada vontade de rir e não resisti. Vou adicionando uns comentários aos excertos, a grande maioria a brincar.</p>
<p>Ora vamos lá a algumas passagens:</p>
<blockquote><p>Os nossos antepassados ensinavam que &#8220;não se brinca com coisas sérias&#8221;. Esta sentença, crescentemente criticada nas últimas gerações, tem violação evidente na extraordinária carreira de Jon Stewart.</p></blockquote>
<p>Senhor Jon Stewart não havia necessidade&#8230; A brincar com coisas sérias?</p>
<blockquote><p>Mas ele também não é um comediante, tratando de assuntos sérios e candentes com opinião clara e contundente, marcando a visão de um número crescente de espectadores, sobretudo jovens.</p></blockquote>
<p>Sendo as ideias do Jon Stewart (JS) normalmente progressistas isso preocupa o autor. Se fossem conservadoras haveria problema?</p>
<blockquote><p>Quem influencia a realidade só para brincar e divertir-se acaba sendo perverso.</p></blockquote>
<p>Mas afinal não o JS não tinha opinião e influenciava os jovens? Já não percebo nada&#8230;</p>
<blockquote><p>Ao longo dos séculos, a sátira foi uma saudável influência na política, com Aristófanes, Diógenes, Horácio, Juvenal, Molière, Swift, Voltaire ou George Orwell; os bobos da corte eram decisivos na denúncia do mal através do riso. Mas não se pode confundir isto com o Daily Show, porque o propósito é precisamente o oposto.</p></blockquote>
<p>Espera aí. Isto é profundo e exige reflexão&#8230; O oposto? Quer dizer que o JS é decisivo na denúncia do riso através do mal? Será mais profundo do que isto? Será que o JCN (Jesus Cristo de Nazaré também é JCN, que coincidência) quer dizer algo como &#8220;JS faz uso do riso para difundir o mal&#8221;? Fica a interrogação.</p>
<blockquote><p>Isso, que é há muito visível nos tablóides, sente-se cada vez mais nos telejornais; mas também na divulgação pseudocientífica de canais como National Geographic e sobretudo nos reality shows, onde a própria ficção finge ser verdadeira.</p></blockquote>
<p>A crítica ao National Geographic tocou-me. Adoro programas de &#8220;pseudo-ciência&#8221; até porque não tenho pachorra para ler artigos científicos quando quero relaxar um bocado a ver TV. Com a ciência também é possível fazer entretenimento e, se calhar, isso até ajuda a que mais pessoas se interessem por ela.</p>
<p>O remate final.</p>
<blockquote><p>O riso pode ter um enorme poder destrutivo, como sabe bem quem seja atingido pela galhofa. Uma piada mal dirigida estraga mais do que um murro. Por isso é tão perigoso brincar com coisas sérias.</p></blockquote>
<p>Houve um dia que, ia eu no passeio a pensar na morte da bezerra e tropecei, um monte de gente riu-se de mim. Fui atingido pela galhofa, fiquei destruído pá&#8230; E imaginem só aquela gente dos programas dos apanhados, são famílias inteiras destruídas com aquilo.</p>
<p>Ups&#8230; fiz um post a brincar com coisas sérias :S.</p>
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		<title>Serviços de informação? Quem informa quem?</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 10:52:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Esta história das secretas cada vez mais parece uma guerra entre duas empresas, a Impresa e a Ongoing. Sintoma claro da captura influência do poder económico e financeiro sobre o poder político, incluindo sobre os serviços de informação. Será que estes últimos são usados para espionagem económica interna?
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta história das secretas cada vez mais parece uma guerra entre duas empresas, a Impresa e a Ongoing. Sintoma claro da <del>captura</del> influência do poder económico e financeiro sobre o poder político, incluindo sobre os serviços de informação. Será que estes últimos são usados para espionagem económica interna?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Crato, a transmissão e a carga horária</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 22:10:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<description><![CDATA[É com bastante atenção que tenho ouvido o novo ministro da Educação, Nuno Crato, a quem quase chamaria de rock star do governo, tal é a sua popularidade. Não posso concordar com muito do que o ministro diz, exceptuando algumas coisas bastante óbvias e consensuais como a necessidade de uma escola exigente e com mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É com bastante atenção que tenho ouvido o novo ministro da Educação, Nuno Crato, a quem quase chamaria de <em>rock star</em> do governo, tal é a sua popularidade. Não posso concordar com muito do que o ministro diz, exceptuando algumas coisas bastante óbvias e consensuais como a necessidade de uma escola exigente e com mais disciplina.</p>
<p>No entanto, esperei até hoje para escrever qualquer coisa sobre novo ministro, principalmente sobre a primeira medida que foi precisamente o<a href="http://www.publico.pt/Educa%E7%E3o/estudo-acompanhado-e-area-de-projecto-terminam-ja-no-proximo-ano-lectivo_1503105?p=1"> aumento da carga horária de Português e Matemática</a>. Sendo estas as disciplinas que já têm maior carga horária, será que o aumento desta será directamente proporcional à melhoria dos resultados? Duvido muito. É preciso perceber que estamos a falar de pessoas, bastante jovens por sinal, e que o &#8220;martelar&#8221; da mesma disciplina, com o mesmo professor, pode criar ainda mais aversão à disciplina em questão.</p>
<p>Queremos bons alunos a português e matemática, e o resto? A literacia não se faz apenas de português e matemática, aprender a pensar e a questionar não pode ser só feito nas salas de português e matemática. Houve tempos em que se ia para a escola aprender a ler e escrever e a fazer contas, certamente que não é a isso que queremos regressar, trocando a 4ª classe pelo 9º ano.</p>
<p>Nuno Crato, numa reacção ao construtivismo na educação, afirma que a <a href="http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=84407">escola deve assegurar a transmissão de conhecimentos</a>. Devo dizer que assusta-me que o ministro da educação tenha uma visão tão redutora da escola. O que leio dessas palavras é que pretende-se <em>regressar</em> à visão da escola e do professor como fontes do conhecimento que deverá ser transmitido ao aluno, como se houvesse uma ligação directa entre a cabeça do professor e a do aluno, actor passivo que é esculpido pelo professor.</p>
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		<title>Coisas da semana e Cavaco no seu &#8220;melhor&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 22:13:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta semana foi fértil em acontecimentos , alguns mais importantes do que outros mas poucas foram bons. A grande maioria merecia um post próprio mas vou destacar dois assuntos que me parecem sintomáticos da situação que vivemos no país.
Como é óbvio, a descida do rating da dívida pública portuguesa foi a notícia da semana. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana foi fértil em acontecimentos , alguns mais importantes do que outros mas poucas foram bons. A grande maioria merecia um post próprio mas vou destacar dois assuntos que me parecem sintomáticos da situação que vivemos no país.</p>
<p>Como é óbvio, a descida do rating da dívida pública portuguesa foi a notícia da semana. Não era imprevisível. É conhecida e criticada a actuação da agências de rating por muita gente em Portugal há bem mais de um ano. Quando começaram a descer o rating português não havia razões para isso. Agora, apesar da classificação da Moodys ser considerada por todos injusta, há certamente mais riscos do país entrar em incumprimento. Esse risco sobe com a austeridade, com os resgates, com juros impagáveis e com a recessão. Agora, aqueles que defendiam o mercado, qual deus que não pode ser contrariado, vêm agora criticar as agências que são parte integrante desse mercado, criticando-o implicitamente. Parece que, de repente, todos viraram à esquerda, um coro de perigosos esquerdistas. Há uns meses era apenas Sócrates a fonte de todo o mal, agora parece que os mercados têm um pouquinho de culpa. Mas vamos continuar com a austeridade, pode ser que tenham piedade de nós, se formos bons alunos.</p>
<p>O Presidente também juntou-se ao coro, com um ar muito indignado chamou &#8220;escândalo&#8221; à actuação da Moodys. <a href="http://195.245.168.15/noticias/index.php?t=Cavaco-aconselha-mais-estudo-as-agencias-de-rating.rtp&amp;article=459320&amp;visual=3&amp;layout=20&amp;tm=9">Vale a pena ver o vídeo</a>. O que Cavaco se esqueceu foi que existem arquivos e que nas suas declarações de há um ano diz que &#8220;não vale a pena recriminar as agências de rating&#8221;. Interessante mudança de opinião. E como sempre, reafirmou a sua omnisciência chamando ignorantes aos que o criticam por ter mudado de opinião e ainda os mandou estudar.</p>
<p>A outra notícia que quero destacar é uma declaração de&#8230; Cavaco Silva, de novo. Que activo que anda o Presidente, a preparar terreno para as medidas do governo. Diz o Presidente que &#8220;<a href="http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1902695">Em democracia nenhum cidadão pode ser excluído dos cuidados de saúde por causa dos seus rendimentos. Por isso, podemos pedir às misericórdias que prestem esse cuidados se fizerem com melhor qualidade e eficiência</a>&#8220;. E quem é que paga às misericórdias? Como se sabe, não há almoços grátis. Alguém terá que pagar às misericórdias: ou o utente (ou devo dizer cliente) ou o Estado. De qualquer das formas, quem paga somos nós. Se quem paga somos nós qual a razão de delegar nas misericórdias o que pode e deve, segundo a constituição, ser feito no sector público? Pura e simplesmente para tornar a saúde um negócio.</p>
<p>A inspiração de Cavaco não acabou: &#8220;<a href="http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1902695&amp;page=2">cidadãos com diferentes rendimentos podem eventualmente dar diferentes contribuições para a distribuição dos encargos com a Saúde</a>&#8221; O prof. Cavaco adora chamar ignorantes aos portugueses. Os cidadãos com maiores rendimentos JÁ contribuem mais para a Saúde, para a Educação e para todos os serviços públicos. É essa redistribuição de rendimentos que permite que tenhamos um sistema de saúde tendencialmente gratuito (deveria ser totalmente gratuito).</p>
<p><a href="http://ww1.rtp.pt/noticias/?t=Antonio-Arnaut-rejeita-proposta-de-Cavaco-para-a-Saude.rtp&amp;headline=20&amp;visual=9&amp;article=459408&amp;tm=2">Vale a pena ouvir as palavras de António Arnaut sobre este assunto.</a></p>
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		<title>Sobre os currículos dourados dos ministros e a cobrança de impostos</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 23:17:14 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Não alcanço a necessidade de termos ministros com currículos dourados nas áreas da Economia e Finanças, que leccionaram e investigaram em prestigiadas universidades estrangeiras e que trabalharam em instituições bancárias internacionais, quando depois limitam-se a aplicar medidas que qualquer recém-licenciado em Economia aplicaria mal olhasse para as contas do Estado português e entrasse em pânico: cobrar mais impostos para aumentar a receita.</p>
<p>Os seus belos currículos não são suficientes para pensar em mais nada?</p>
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		<title>Meio bacalhau e uma perna de perú temperados com austeridade para o Natal</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 00:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah o Natal, parece tão distante quando o Sol brilha e estão 24 ºC lá fora. (Sim, nos Açores por esta altura 24 ºC já é muito bom). Este ano provavelmente a época natalícia vai chegar a passos largos, até porque será, para muita gente, uma época bastante mais pobre. O que é bom acaba sempre depressa. O novo primeiro-ministro, que quer ser, não apenas o bom aluno, mas o supra-sumo dos alunos da Europa, superando até os sonhos mais loucos de Angela Merkl e Sarkozy, decidiu cortar 50% do 13º mês, acima do ordenado mínimo. Toda a gente já deve saber, não quero ser eu a dar esta notícia a mais ninguém.</p>
<p><a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&amp;id=493711">Interessante é verificar que em Abril o nosso PM não pensava assim</a>. Mudou de opinião depressa. Depois de 6 anos de José Sócrates, estamos mais do que habituados a este tipo de cambalhota. É possível que muita gente tenha votado em PPC para uma solução de governo com um PM que não mentisse, que resolvesse o problema da dívida, que cortasse na despesa do Estado obeso (não gosto da palavra gordo) e não pedisse ainda mais sacrifícios. Pois é, parece que o Estado obeso somos nós.</p>
<p>Infelizmente duvido que os desejos de austeridade de PPC, qual grávida a desejar morangos, terminem por aqui. Como já devíamos todos ter aprendido, a austeridade apenas nos afunda cada vez mais e a receita que esta gente nos dá para nos tirar deste poço é apenas mais austeridade com uma pitada de&#8230; austeridade. E cá vamos nós, alegremente a caminho do fundo do poço. Não, ainda não chegamos lá. Os gregos estão quase, têm um ano de avanço mas parece que nos queremos vingar, da derrota no euro  2004, e ganhar esta corrida para o abismo.</p>
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