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	<title>Omnia sunt communia &#187; derrocadas</title>
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		<title>Praia da Ribeira Quente – Entulho “anti-derrocada” Take III &#8211; O regresso</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 15:23:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[Sim, sou um chato do caraças e não, não vou deixar cair este assunto.
Começou a época balnear e começo este post citando o Director Regional dos Assuntos do Mar no Açoriano Oriental de 25 de Março de 2011 sobre as obras na praia da Ribeira Quente.
“Dado que não havia  consequências negativas para a praia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, sou um chato do caraças e não, não vou deixar cair este assunto.</p>
<p>Começou a época balnear e começo este post citando o Director Regional dos Assuntos do Mar no Açoriano Oriental de 25 de Março de 2011 sobre as obras na praia da Ribeira Quente.</p>
<blockquote><p><a href="http://www.blog.amrlima.info/archives/1093">“Dado que não havia  consequências negativas para a praia e permitia  salvaguardar os bens ali  existentes”, a Direcção Regional decidiu  autorizar a obra à  responsabilidade do proprietário, diz Frederico  Cardigos, que garante  que “é uma intervenção pequeníssima que em poucas  semanas estará  terminada”.</a></p></blockquote>
<p>Ora, 3 x 9 = 27, se ainda sei fazer contas de 25 de Março a 2 de Junho vão quase 10 semanas. Como se vê no foto abaixo (infelizmente tirada com o telemóvel por não ter a máquina fotográfica comigo) está um belo dia de Sol mas infelizmente o mar retirou bastante areia do início da praia. Lá no meio vêm-se &#8220;obras&#8221; (que estão em curso embora não seja possível ver os trabalhadores). Tem curiosas semelhanças com uma trincheira da 1ª Grande Guerra, dada a cor dos sacos de terra que estão a ser colocados na praia.</p>
<p><a title="IMAG0053 por amrlima, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/21196653@N04/5789969249/"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2382/5789969249_d1c07bc014.jpg" alt="IMAG0053" width="375" height="500" /></a></p>
<p>Clicar na foto para aumentar.</p>
<p>Vi sair do local a polícia marítima que falou com alguém na &#8220;obra&#8221; mas infelizmente não fui a tempo de falar com eles.</p>
<p>Será que a ocupação de parte da praia com sacas de terra não será uma consequência negativa? Será que o facto da &#8220;obra&#8221; ser esteticamente muito pouco atrativa não é uma consequência negativa? Será que qualquer um pode simplesmente fazer obras na orla costeira por qualquer razão?</p>
<p>Agora que começa a época balnear, gostava muito de saber se aquela obra de arte é mesmo para ficar ali.</p>
<p>Para quem não conhece a história do do início aconselho a leitura dos dois posts anteriores sobre este assunto:</p>
<p><a href="http://www.blog.amrlima.info/archives/1089">Praia da Ribeira Quente – Entulho “anti-derrocada”</a></p>
<p><a href="http://www.blog.amrlima.info/archives/1093">Praia da Ribeira Quente – Entulho “anti-derrocada” Take II: A notícia no Açoriano Oriental</a></p>
<p>EDIT: Esqueci-me de referir que é uma praia com Bandeira Azul.</p>
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		<title>As vertentes e a Ribeira Quente</title>
		<link>http://www.blog.amrlima.info/archives/899</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 20:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>amrlima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma vertente é uma forma geomorfológica na qual ocorrem permanentemente movimentos de massa que se devem, primeiramente, à acção da gravidade. &#8220;Tudo o que sobe tem que descer&#8221;. Os movimentos de massa podem ser lentos, quase imperceptíveis, mas por vezes ajudados, por influência de outros factores como a água e a vegetação, os movimentos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma vertente é uma forma geomorfológica na qual ocorrem permanentemente movimentos de massa que se devem, primeiramente, à acção da gravidade. &#8220;Tudo o que sobe tem que descer&#8221;. Os movimentos de massa podem ser lentos, quase imperceptíveis, mas por vezes ajudados, por influência de outros factores como a água e a vegetação, os movimentos de massa podem ser rápidos e podem ser responsáveis pelo transporte de grandes volumes de rochas e sedimentos.</p>
<p>Pensemos num esquiador a descer uma encosta. Imagine-se que o monte que o esquiador desce é pouco inclinado inicialmente e o pobre esquiador mal consegue adquirir velocidade para sentir o vento na cara. Uns metros mais à frente depara-se com uma grande inclinação e começa a deslizar a grande velocidade, para sua satisfação. O mesmo se passa com os sedimentos e rochas numa vertente. Quanto maior a inclinação mais fácil será às rochas e sedimentos <em>deslizarem</em> encosta abaixo. Uma vertente é tanto mais estável, quanto menor for a sua inclinação. Isto significa que numa vertente com uma grande inclinação os movimentos de massa serão provavelmente frequentes até que a vertente estabilize. A inclinação a partir da qual uma vertente é considerada estável é de 45º.</p>
<p><img class="alignnone" title="Taludes" src="http://dl.dropbox.com/u/281158/blogfiles/talude.png" alt="" width="561" height="148" /></p>
<p>Tal como tudo em geologia, as vertentes não são estáticas e nenhuma será igual daqui a 1.000 anos. Essa evolução é lenta mas quase inevitável, a não ser que a actividade humana a impeça ou acelere.</p>
<p>E para quê toda essa conversa sobre geomorfologia agora? Bem, porque sinceramente estou farto de ter a terra onde nasci isolada quase todos os Invernos, de eu e a minha família e todos os que lá vivem corrermos perigo de vida  quando passamos no único acesso à Ribeira Quente e chove. A estrada que liga Ribeira Quente a Furnas possui, em quase toda a sua extensão , do lado direito no sentido N-S, vertentes de várias inclinações. Muitas delas são de baixa altura e/ou de baixa inclinação e oferecem pouco perigo. Outras são quase verticais e com dezenas de metros de altura. Essas vertentes não são estáveis nem o serão nem daqui a centenas ou milhares de anos. A sua instabilidade deve-se a vários factores, a começar obviamente pela sua inclinação, pelo tipo de rocha/solo, excesso de vegetação ou reduzido coberto vegetal, etc.</p>
<p>Leio nos jornais, por vezes, disparates ditos pelos nossos governantes, como foi a história suposta estrada alternativa que iriam construir pelo Caminho do Agrião e que iria ligar a Ribeira Quente à Povoação. Da primeira vez que se falou nisso, em 1997, tinha eu 16 anos, sempre disse que era um disparate. Seria criar mais um problema de manutenção de uma estrada que seria aberta por formações geológicas tão ou menos estáveis quanto as que ladeiam a estrada existente. Em vez de resolver o problema criaria outro, tão ou mais difícil de resolver, para não falar dos milhões que se gastariam para construir uma estrada transitável naquela zona. Qualquer pessoa que tenha feito aquele caminho a pé, e que tenha dois dedos, aliás, um dedo de testa via que seria uma obra de Santa Engrácia. Vendo bem, são os mesmos que construíram a famosa estrada para a Fajã do Calhau para criar um tão necessário acesso a meia dúzia de casas de férias. Está tudo explicado.</p>
<p>O que é certo é que 13 anos depois, este tempo teria sido tempo mais que suficiente para estabilizar as vertentes da estrada da Ribeira Quente. O que se fez? Colocou-se uma nova camada de alcatrão na estrada para tapar os buracos e embelezou-se. Sim, porque o sentimos-nos muito mais seguros com as hortências e azáleas que plantaram à beira da estrada. Assim está tudo bem. Entretanto vêm os Invernos e os movimentos de massa continuam. Por sorte <strong>ainda</strong> não atingiram ninguém. Mas é uma roleta russa e um dia isso poderá acontecer, como aconteceu no Nordeste. E asseguro que os autocarros que transportam as crianças para a escola e circulam naquela estrada diariamente não transportam apenas 3 crianças em cada viagem.</p>
<p>As vertentes estabilizam sozinhas e não precisam da mão humana para acelerar o processo. Mas quando existem actividades humanas na base de uma vertente, <em>temos uma situação muito grave, </em>citando o comentador desportivo Rui Santos (não, não admiro o homem, mas diz umas frases excelentes para tornarem-se frases feitas).</p>
<p><img class="alignnone" src="http://dl.dropbox.com/u/281158/blogfiles/evotalude.png" alt="evolução vertente" width="496" height="798" /></p>
<p>Os detritos provenientes dos movimentos de massa das vertentes acumulam-se na sua base. Essa acumulação irá, lentamente, levar à diminuição do ângulo da vertente e, consequentemente, ao aumento da estabilidade. Havendo uma estrada na base da vertente os detritos são removidos aquando dos movimentos de massa (óbvio!)  e, não havendo detritos na base, a inclinação da vertente será praticamente a mesma e a sua estabilidade também. O problema mantém-se. É o que acontece na estrada da Ribeira Quente.</p>
<p>Posto isto, a única solução para o problema é a estabilização das suas vertentes da estarda. Já se fez algo muito semelhante na praia de Água d&#8217;Alto. Até hoje ninguém viu mais nenhuma derrocada naquela zona desde a intervenção que sofreu. Pode argumentar-se que é um atentado ambiental já que a estabilização descaracteriza a paisagem. No entanto há que ser racional e pragmático. Se se admitiu aquilo que foi apelidado <em>Crime Ambiental da Fajã do Calhau,</em> esta intervenção é inteiramente justificada. Em 1997 optou-se por reconstruir e manter perto de 1.000 pessoas  na Ribeira Quente, é preciso  dar-lhes, pelo menos, segurança.</p>
<p>PS: E não me venham falar em &#8220;<em>Há o heliporto e o porto, que são vias alternativas&#8221;</em>. Eu não tenho helicóptero e não conheço ninguém que possua um na Ribeira Quente. Quanto ao porto, não sei se repararam mas as derrocadas são mais frequentes quando há temporais, logo o porto não é opção, para além dos barcos não serem de transporte e muito menos rápidos o suficiente para uma emergência.</p>
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