Admirável mundo novo?

Palavra do mês: Vista. Falou-se tanto… bem nem tanto assim em Portugal porque “aborto” esteve mais em voga. Mas por onde quer que, no mundo virtual das linhas telefónicas e do cabo, se andasse não se via outra coisa. O senhor Bill prometeu inovação e segurança com essa nova palavra que já entrou no nosso vocabulário (no português já cá estava à muitos anos certamente). Quanto à inovação, muitos dirão que sim, é inovador, outros rir-se-ão citando mil e um exemplos das novas características do Vista já presentes em outros Sistemas Operativos (SO). Quanto à segurança o tempo certamente dirá, mas por várias razões parece-me (e a muito boa gente) que seguro ou não este novo “windoze” terá os mesmos problemas do que as anteriores versões. E porquê? Principalmente porque é o sistema mais utilizado em todo o mundo (mais de 90% segundo algumas estatísticas que por aí andam), e logo será aquele mais atrativo aos ataques de tudo o que são hackers, crackers, adolescentes curiosos e criminosos da web que tentam de tudo para nos roubarem passwords de contas bancárias e números de cartões de crédito. E acreditem que infectar um pc remoto com um virus, spyware ou trojan é bem mais fácil do que imaginam… é incrível o que se lê em foruns apenas um pouco “ocultos”. Depois temos o facto do dono da empresa que fabrica este SO ser, nada mais nada menos, o homem mais rico do mundo. Se não o podemos atingir porque não atingir a sua “propriedade”? Eis outra grande razão para que o Vista tenha graves problemas de segurança no futuro. Mas, como se isso não bastasse, o senhor Bill não deve nada à modéstia pois numa entrevista à NewsWeek disse “apenas” o seguinte, ao falar das acusações de roubo de ideias do OSX da Apple para o seu preciso Vista: “Nowadays, security guys break the Mac every single day. Every single day, they come out with a total exploit, your machine can be taken over totally. I dare anybody to do that once a month on the Windows machine.” Aposto que muita gente pôs mãos à obra ao ler esta frase.

• • •

O preço da liberdade

Qual será o preço de ter algo que é gratuito, de livre distribuição, personalizável e que nós próprios somos autores? Algum trabalho apenas… se o construíres. Absolutamente nenhum preço se não fores um autor dessa construção. Mas o mundo tem outras prioridades, e nelas a palavra “gratuitidade” poucas vezes se encaixa na mente dos Homens. Se algo existe que é livre e gratuito há que encontrar formas de privar quem o usa de algo que gosta. -Queres um gelado? Então deixa lá esse parque infantil e vem ao centro comercial. Uma pequena chantagem, inocente. Afinal que mal faz ir um pouco ao centro comercial para comer um gelado? afinal os gelados também são bons e lá são do melhor!
Não, não estou a falar de gelados, centros comerciais e parques infantis, e muito menos de crianças também (embora também se posso aplicar em parte). Se substituirmos um gelado por um jogo de computador, se substituirmos o centro comercial pelo (quase) monopolista dos sistemas operativos (windows) e se substituirmos o parque infantil pelo mundo livre do GNU/Linux temos o preço da liberdade que falava. Tantos e tantos adeptos de Linux utilizam-no em dual-boot com o windows… e porquê? por causa do entretenimento! Nomeadamente os jogos, já que som e vídeo com um pouco de trabalho funcionam tão bem em linux como em windows. Às produtoras pouco interessa produzir jogos para linux… porquê? porque muito pouca gente o usa para que seja viável o investimento (apesar de muitos jogos serem desenvolvidos em linux). E porque tão pouca gente usa linux? para além de outras mil e uma razões que não vou enumerar aqui, também porque quase não há jogos que rodem directamente em linux. Ah, mas ainda entra um terceiro factor… os grandes jogos, os grandes títulos são verdadeiros “comedores” de aceleração gráfica. As produtoras de placas gráficas (ex. NVidia, ATI) suportam mal os seus produtos em linux… porquê? Para quê perder tempo em produzir drivers para uma plataforma onde pouco se joga?
Então será esse o preço da liberdade? E quem deveria pagá-lo? Nós ao deixarmos de jogar os grandes títulos, ou o triângulo produtoras de videojogos – Microsoft – produtoras de hardware gráfico?

• • •

GNU/Linux Portugal

Há já algum tempo existem uma comunidade de linux organizada em portugal. Aqui fica um pouco da história desta comunidade. Visitem o site: http://gnulinux-portugal.org

• • •