Em Portugal: Big Brother is watching you

Hoje, em Ponta Delgada, eu e vários manifestantes da manifestação de 15 de Outubro fomos identificados por estarmos a participar numa manifestação legal e autorizada. A polícia alegou desconhecimento, mas após termos apresentado a autorização não destruíram ou devolveram os papeis onde registaram a nossa identificação.

Para além disso pediram dados pouco comuns numa identificação policial, tanto quanto sei. Nome do pai e da mãe, morada, telefone e profissão. Dados que recusei fornecer, como óbvio.

Haviam também 3 à paisana de uma força policial que não conseguimos identificar. Um deles filmava com grande afinco todos os participantes da manifestação.

Agente filmando manifestantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Identificar quem organiza e participa em manifestações pacíficas parece-me coisa de ditadura. Há alguma semanas atrás alguns professores tinham sido identificados por polícias à paisana por terem-se concentrado em frente a uma escola. Se o objectivo é identificar todos os possíveis “agitadores” parece-me que o governo vai ter muito trabalho nos próximos tempos.

E todos nós pagamos impostos para isto.

 

A austeridade é a nossa penitência

Hoje vi, na RTP-N, um daqueles programas do género fórum TSF, em que um padre convidado (do qual não me recordo o nome) a comentava as medidas de austeridade, nomeadamente os aumentos do IVA na electricidade e no gás. O padre dizia qualquer coisa como:

Não vale a pena protestar; Ninguém protestou, nem os sindicatos nem ninguém quando vivíamos acima das nossas possibilidades, por isso agora temos de aceitar porque não há outra saída; Não vale a pena ir atrás dos ricos porque eles mandam o dinheiro para a Suíça.

É triste verificar que a Igreja Católica mais uma vez vai buscar a sua veia salazarista e manda o povo comer e calar. Neste caso, ser roubado e calar. Para quem se diz defensor dos pobres e dos oprimidos são muito rápidos a virar-lhes as costas. Mas esta atitude é bastante coerente com o discurso dominante do “viver acima das nossas possibilidades”. Viver acima das nossas possibilidades é um eufemismo para o pecado, nas católicas mentes conservadoras. Nessas mesmas mentes o pecado só pode ser perdoado com a penitência, apresentada ao povo como austeridade inevitável. Séculos de catolicismo impregnaram nas mentes dos portugueses as noções de pecado e penitência. Talvez seja essa uma das razões para as diferenças de aceitação da austeridade entre gregos e portugueses.

É preciso lembrar que nunca foram penitência, a oração ou a santa missa que trouxeram avanços à humanidade. As grandes conquistas sociais da humanidade fizeram-se com lutas, com protestos, com revoluções. Se nos limitássemos a rezar e calar ainda viveríamos numa sociedade feudal.

Resta saber até quando é que vamos comer e calar. Numa altura em que já se decidiram medidas adicionais de austeridade no próximo ano, duvido que não cheguemos a um ponto em que os portugueses concluam que chega de padre-nossos e avé-marias.

E nós não somos só a vossa mão de obra barata

Logo pela manhã, leio isto:

E que fique claro, todos nós compreendemos as dificuldades que os professores passam, mas o sistema educativo regional não serve de garante de emprego nem para professores nem para ninguém.

Secretária Regional da Educação e Formação, Cláudia Cardoso, in Açoriano Oriental, 08-09-2011

Claríssimo, Srª. Secretária. Mas que fique claro também que os professores precários não são uma espécie de banco de suplentes onde a Secretaria da Educação e o Ministério vão buscar mão de obra barata quando têm falta de professores. Alguns são usados anos a fio, mantidos na precariedade de contratos anuais, quando o código de trabalho apenas permite três renovações de contrato a termo, para que quando der jeito seja fácil e barato mandar embora. Outros ficam na reserva, prontos a tapar os inúmeros buracos que vão aparecendo durante o ano, como as substituições e horários incompletos.

A Srª. Secretária, que fala agora com as costas largas pois tem centenas de professores desempregados à espera para taparem todos os buracos que vão aparecer durante o ano, sabe muito bem que sem todos esses “professores parasitas”, como quer fazer crer à opinião pública, o sistema educativo regional era capaz de não funcionar assim tão bem.

The Middle East – Porque só vos descobri agora?

Hoje (na verdade foi ontem, mas tinha sono demais para escrever alguma coisa) é um dia triste. Descobri uma banda com um som que me agarrou como há muito não acontecia mas ao mesmo tempo que saboreava as músicas, descobria que deram o último concerto em Julho deste ano.

Fica a criação e uma ténue esperança que um dia possam oferecer-nos mais algumas músicas destas, se for essa a sua vontade, porque a música não se força.

The Middle East